Notícias

18.07.2013

A crise econômica e seu impacto na sustentabilidade das empresas

Julianna Antunes

O mundo está em crise. Sim, todos sabemos. Desde 2008. As empresas estão passando por momentos delicados desde então. Sim, todos também sabemos. Sendo o Brasil um país, fundamentalmente, de commodities, isso fica ainda mais evidente. Mas o que vem acontecendo na área de sustentabilidade das empresas não é apenas reflexo da crise mundial. É resultado de um desaprendizado.

Não estou falando isso com base em achismo. Estou sentindo na pele. Nunca houve tantas contratações e tantas portas abertas para consultorias de sustentabilidade como os anos de 2011 e 2012. E o que mais empolgava era que se via uma intensão das empresas em fazer algo mais alinhado às estratégias de negócios. Algo muito além do basicão da responsabilidade social e ambiental.

Mas aí o ano mudou e parece que um tsunami passou. Muito antes de a EBX anunciar o fim da área de sustentabilidade, a Vale já tinha passado o rodo, dizimando as áreas que tratavam de questões relacionadas à inteligência para sustentabilidade. Sustentabilidade, hoje, para a Vale se resume a obrigatoriedades legais e GRI. Outras empresas também demitiram. Isso sem falar no mercado de consultoria, que está completamente estagnado. Fico aqui confabulando com meus botões se 2011 e 2012 não foram apenas reflexo da Rio+20.

E aí eu me pergunto o que, de fato, está acontecendo com a sustentabilidade corporativa. Falar que a culpa é da crise mundial é ser simplista demais. A crise está aí desde 2008. O Brasil tem muita coisa para resolver internamente para evitar ficar à mercê de cenários externos.  Volto à questão do desaprendizado. Ou vou mais fundo: do próprio aprendizado.

No início de junho estava em um evento onde uma pessoa da área de sustentabilidade de uma empresa apresentava um projeto (muito bom, por sinal). Perguntei o quanto a empresa deixou de gastar por conta do projeto e o que ele significava em termos de melhoria de negócio. A reação da pessoa foi como se eu tivesse ofendido e a resposta a pior possível: não medimos isso porque não é prioridade. O que importa é que temos de fazer.

Gente, não se engane, é assim que funciona na maioria esmagadora das organizações. Falta de entendimento da empresa a respeito do que é sustentabilidade de verdade + falta de visão de negócios por parte de quem está conduzindo a área de sustentabilidade + crise econômica = crise braba na área de sustentabilidade.

Aí, quando uma empresa está passando por problemas graves, como é o caso da EBX, vem o financeiro fazendo corte e, adivinhem, onde eles vão reduzir gasto? Em áreas que não geram dinheiro, apenas reputação, ou que existem porque é o que a empresa tem de fazer.

Eu me pergunto: de quem é a culpa? Sim, a culpa é dos cabeças das empresas que têm visão tacanha a respeito da sustentabilidade. Também. E quanto a isso pouco pode ser feito em curto prazo a não ser educar, educar, educar. Mas tem outra parcela de culpa aí que é da própria área, que, na maioria das vezes, se comporta como se tivesse a missão de mudar o mundo.

Enquanto a área de sustentabilidade corporativa mantiver essa aura de pessoas felizes + somos amiga da natureza e não se posicionar como uma área que ajuda a empresa a melhorar o seu negócio, vai ser uma das áreas mais suscetíveis à queda em momentos de crise. E, como efeito cascata, vai contaminar toda a cadeia criada em torno da inteligência para a sustentabilidade, gerando um retrocesso de só se trabalhar respondendo requisitos legais.

Fonte: Administradores
 

Desenvolvido por
Ubis Ideias Digitais logo
Ideias digitais