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26.10.2012

De olho nas crianças

A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (SAIC) do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, no cargo desde 2008, fala, em entrevista, sobre os temas prioritários da sua gestão. Consumo consciente com foco nas crianças é o diferencial deste ano, com campanha de conscientização da população sobre a importância do tema prevista para 2013. As ações do Plano de Ação para a Produção e o Consumo Sustentáveis continuam. Separação do lixo e uso de sacolas retornáveis são prioridade nas ações promovidas pela SAIC.

Samyra Crespo adianta o lançamento, no dia 30 próximo, de cartilha “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, elaborada em parceria com o Instituto Alana, para orientar pais e educadores a respeito do tema. Lembra também a Política Nacional de Resíduos como essencial para envolver toda a sociedade no cuidado com o meio ambiente.

Estamos no Mês do Consumo Consciente. Qual o objetivo da data e como o MMA está trabalhando para trazer à tona o tema?

Samyra Crespo - O Dia do Consumo Consciente, proposto pela Consummers International, associação global, foi adotado pelo Brasil desde 2009. Ocorre que dia 15 também é Dia do Professor, perto do Dia das Crianças, e, normalmente, é feriadão. Então, resolvemos ampliar as ações para o mês todo. Estamos trabalhando o tema do Consumo Infantil. A intenção é pautar a sociedade brasileira sobre a importância deste tema e preparar uma grande campanha de sensibilização da opinião pública no próximo ano. Mas o tema do consumo consciente é permanente na agenda do Ministério. Temos os desafios da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e de como envolver o consumidor no descarte responsável, o que significa neste momento separar o lixo seco do molhado. No âmbito do Plano de Ação para a Produção e o Consumo Sustentável, temos a controversa necessidade de reduzir a utilização de sacolas plásticas, por exemplo. Então posso dizer com segurança que o tema da produção e do consumo sustentáveis é central na agenda de todo o Ministério.

Quais as principais ações da SAIC voltadas para o tema do consumo infantil?

Fizemos uma campanha no Distrito Federal intitulada “Ganhou, doou”, na qual trabalhamos a doação de brinquedos por parte das crianças que ganharam presentes novos no Dia das Crianças. Os aspectos trabalhados foram a doação, portanto a solidariedade e o desapego, a ideia de que não se deve acumular e principalmente o ato de cidadania que é reconhecer que uma coisa que não estamos usando pode bem servir a outra pessoa que não tem possibilidades de adquirir aquele bem. Aproveitamos para distribuir 50 mil revistinhas da “Turma da Mônica” sobre questões ambientais e descarte consciente. O MEC distribuirá 350 mil destas revistas nas escolas públicas.Também estamos lançando no dia 30 a cartilha que desenvolvemos junto com o Instituto Alana para pais, professores e cuidadores de crianças em creches e instituições. A ideia é estimular ações e dar dicas de como questionar o consumo abusivo e desnecessário. Sabe-se que hoje as crianças influenciam fortemente o consumo dos país e muitas vezes leva a família a endividar-se para adquirir brinquedos e eletrônicos. No próximo ano teremos uma ação de peso com envolvimento de outros Ministérios, como por exemplo o MEC e o Ministério da Saúde. O MEC tem o mandato para o trabalho junto às escolas, e o Ministério da Saúde vem travando uma batalha meritória contra a tendência da obesidade infantil estimulada pelo excesso de alimentos industrializados ingeridos pelas crianças.

A educação ambiental contribui para formar cidadãos e consumidores mais conscientes. Qual é a estratégia do MMA para que isso ocorra?

A educação Ambiental é fundamental para ampliar a consciência e para estimular a mudanças de cultura e de hábitos. Mas não é suficiente. É preciso regulação, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos está fazendo, obrigando as empresas que distribuem embalagens a fazerem a logística reversa, isto é a responsabilizar-se pelas embalagens no pós-consumo. É preciso também campanha de comunicação de massa, como fizemos no caso das sacolas plásticas – a campanha denominada “Saco é um saco”, pois é preciso sensibilizar e envolver também os adultos, do Brasil inteiro e de todas as classes sociais.

Quais as metas e os projetos prioritários da SAIC para 2013?

Concentraremos nossos esforços nas prioridades do Plano de Ação de Produção e Consumo e na implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Estamos á frente da Conferência Nacional de Meio Ambiente, que acontecerá no ano que vem e que prevê uma grande mobilização em torno do tema dos resíduos Sólidos. Também vamos participar ativamente da conferência Infanto-juvenil do MEC, com o envolvimento de mais de 30 mil escolas, com o tema das “Escolas Sustentáveis”. Outro esforço que vale a pena destacar é nosso Programa Nacional de Educação em Agroecologia, voltado para a população rural. No âmbito do “dever de casa” do governo, envidaremos todos os esforços necessários para que o Programa de Compras Governamentais Sustentáveis tenha o impacto que se espera. Este será com segurança um programa que poderá impulsionar a economia verde em nosso País e levar a mudanças significativas no modo de o próprio governo operar. É a gestão pelo exemplo.

Fonte: Instituto Akatu com informações do Ministério do Meio Ambiente

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