Notícias

28.08.2013

Empresas que querem ser verdes precisam apostar em inovação


O que uma empresa precisa fazer para se tornar sustentável? A pergunta faz parte do dia a dia da consultora francesa Elisabeth Laville, autora do livro A Empresa Verde. A resposta também: as empresas precisam apostar em inovação.


Laville é fundadora da Utopies, uma consultoria especializada justamente em ajudar empresas na área da responsabilidade socioambiental, e já trabalhou com companhias de diversas partes do mundo, inclusive gigantes como a Danone e o Carrefour. Ela estará no Brasil no final de agosto, entre os dias 29 e 30, em Belo Horizonte, onde contará um pouco sobre sua experiência no Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável, o Sustentar 2013. A consultora conversou com o Blog do Planeta e contou como que as empresas estão se adaptando às políticas de sustentabilidade.

Quando a Utopies começou o seu trabalho, a forma como as empresas encaravam a sustentabilidade era muito diferente. "Na década de 1980, o mundo corporativo encarava a questão pela filantropia. As empresas escolhiam causas que consideravam boas, faziam doações, e a ação terminava aí", diz Laville. Esse comportamento começou a mudar em meados dos anos 1990, quando as empresas passaram a se interessar de fato por sustentabilidade. Práticas ambientais foram colocadas na rotina diária das companhias, que buscaram na questão ambiental uma tentativa de se diferenciar no mercado. Foi um ciclo onde surgiram as certificações, os relatórios de impactos ambientais e uma abordagem mais profissional da forma como a empresa lida com a questão ambiental.

Apesar disso, esse ciclo ainda se caracterizava por uma tentativa de minimizar os riscos. Segundo Laville, é essa característica que está mudando nos últimos anos, pelo menos nas empresas mais envolvidas com o tema. Ela acredita que estamos entrando em um novo ciclo, onde as empresas estão buscando na inovação uma forma de tornar seus próprios produtos ambientalmente responsáveis. "As empresas devem buscar a sustentabilidade não apenas no processo, mas no próprio coração da companhia".

Para Laville, há muitas formas de uma empresa inovar. A mais conhecida é a inovação tecnológica. Mas o que ela chama de "inovação social" pode ser ainda mais simples e mais eficiente. Ela usa como exemplo uma comparação com o carro. É indiscutível que a inovação tecnológica do setor automobilístico melhorou o rendimento dos carros, consumido menos combustível e poluindo menos. Ainda assim, os carros continuam sendo movidos a petróleo e continuam lançando gases de efeito estufa na atmosfera. Inovar na forma como usamos o carro - com serviços de aluguel, carona e car sharing, por exemplo - pode ser muito mais efetivo para controlar a poluição.

Outra inovação interessante acontece no interior das companhias mais engajadas em sustentabilidade. Elas estão se abrindo para outros atores do processo de produção de seus produtos, como fornecedores, acionistas, sociedade civil e até concorrentes para conhecer e trocar experiências sobre políticas ambientais. Esse é o objetivo de um dos projetos da Utopies no Brasil, o Critical Friends: permitir que as empresas compartilhem suas ações ambientais com outros atores da sociedade. "As empresas precisam se engajar até mesmo com quem as critica".

Nessa abordagem crítica, o consumidor tem um papel fundamental. Ao escolher seus produtos, os consumidores podem premiar as empresas responsáveis e punir as que agridem o meio ambiente. "De certa forma, nós votamos todos os dias com as nossas carteiras. Os produtos que compramos causam impacto na água, nas florestas, por isso temos que escolher bem, comprar de empresas mais resposáveis", diz Laville.

Fonte: Época Online

Desenvolvido por
Ubis Ideias Digitais logo
Ideias digitais