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03.10.2013

Sustentabilidade não é apenas opção

Seja para garantir matéria-prima ou para preservar a reputação, as grandes empresas estão cada vez mais tratando a questão da sustentabilidade não mais como uma opção, mas como um fator de risco a ser considerado no negócio. Mais do que uma bondade ou uma ação com objetivos abstratos, algumas decisões passaram a ter um viés sustentável em função do impacto imediato que poderiam ter na sobrevivência da empresa. A possibilidade de faltar água ou deste recurso natural se tornar mais caro e menos limpo afetaria o setor produtivo da maioria das indústrias. Dependentes da natureza, as empresas teriam a vantagem de serem mais flexíveis e rápidas do que governos e a sociedade em geral para adotar medidas capazes de melhor a qualidade de vida no planeta. É o que defende Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Preocupação agora é mais com recursos do que com impacto

As empresas estavam preocupadas com o impacto, mas é fundamental identificar qual é o nível de dependência dos recursos naturais do planeta. Será que o material que uso estará disponível nos próximos 20 anos? A pergunta feita pela coordenadora de Sustentabilidade da Votorantim Industrial, Frineia Rezende, ilustra um dos questionamentos feitos pelas grandes indústrias na definição de rumos e oportunidades de negócio. Para ela, ficou claro que não basta mais fazer ações isoladas, como investimento para uma comunidade ou patrocínio a um projeto ambiental. A ecoeficiência, que em resumo é o uso mais racional dos recursos naturais, influencia no processo produtivo e é capaz também de reduzir custos.

O conceito de desenvolvimento sustentável envolve os aspectos econômicos, sociais e ambientais, na perspectiva do uso dos recursos naturais nos dias de hoje sem comprometer as gerações futuras, e afeta diretamente a relação das empresas com a sociedade. O CEBDS realizou, na semana passada no Rio de Janeiro, o evento Sustentável 2013, para debater as estratégias empresariais na busca por ações menos impactantes para o meio ambiente e a comunidade do entorno. A entidade reúne menos de uma centena de empresas mas juntas elas somam mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

O custo ainda é o fio da navalha, mas a sustentabilidade precisa ser vista para além das exigências legais, diz. Marina comenta que é essencial antecipar as demandas. Se a empresa for surpreendida por novas regras, o custo da adaptação será bem maior. Ela cita como exemplo a dificuldade que as instituições bancárias teriam caso se tornasse obrigatório analisar as emissões de gases de efeito estufa dos clientes. Os bancos que já consideram as questões ambientais se adequariam facilmente.

Parece que a ação sustentável ainda é uma opção e não é. Ou dentro de pouco tempo não haverá mais ambiente de negócio, diz Vania Borgerth, assessora da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela também revela que, atualmente, não basta uma empresa apenas dar lucro, sem responder à sociedade, aos funcionários e ao meio ambiente. Vania destaca que o banco estabeleceu a política de liberar financiamento aos poucos, acompanhando se os investimentos estão sendo feitos de forma adequada. Como as grandes empresas já estariam adotando ações mais socioambientalmente responsáveis, o desafio seria ganhar escala chegando às empresas menores.

Ferramenta dá rumo verde às empresas

Baseada em um modelo internacional, está sendo desenvolvida uma ferramenta para determinar a dependência dos recursos naturais que influencia o setor industrial. A Parceria Empresarial pelos Serviços Ecossistêmicos (PESE) começou no ano passado, com sete grandes empresas como Natura, Danone e Pepsico. Os resultados foram divulgados na semana passada. A preocupação com o acesso, a qualidade e o preço da água foi um fator comum a todas as participantes.

A resposta é prática, qualitativa, mas não quantitativa. É capaz de dar rumo para novas estratégias que precisam ser criadas para responder aos riscos, comenta Fernanda Gimenes, coordenadora da Câmara Temática de Biodiversidade e Biotecnologia do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). No caso da água, por exemplo, é possível calcular quanto a empresa precisará gastar mais para consertar uma recurso natural que está chegando menos saudável. Assim, os fatores ambientais deixam de ser questões abstratas para se tornarem um problema real para a empresa. Uma nova rodada de troca de experiências empresariais e avaliações de fatores de risco e dependência, com mais indústrias convidadas, deve começar em 2014.

Fonte: Gazeta do Povo
 

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